quem anda a espreitar as reviravoltas ?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

factos inegáveis

se vais ao congelador à procura de crepes com chocolate, encontras gelado de natas.
contudo, se estiveres à procura do tal gelado, vais acabar por reparar que só há crepes.
ora a minha teoria é que isto nos acontece em tudo na vida: aquilo que procuras desenfreadamente, não encontras. em suma, a vida não te dá limões quando te apetece fazer limonada_em vez disso, decide dar-te litchies (se não sabes o que é, google it) .
posto isto, se estás desesperado à procura de qualquer coisa (não me refiro apenas a comida, como é óbvio), pára de procurar: assim, as tuas probabilidades de conseguires o que quer que seja aumentam.
concluíndo, não tenho moral absolutamente nenhuma para dar qualquer tipo de dicas, mas cá vai: meninas, párem de procurar o príncipe encantado: é inútil. sim, foi aqui que eu quis chegar com todas estas tretas. no amor, quanto mais se quer menos se tem.
se te apetecem curtes, pimba, conheces alguém que quer exactamente o contrário.
se quer assentar e ter uma relação séria, ora bolas, só encontras cabrões que gostam de usar e deitar fora.

por isso, acaba lá com a procura, e sê feliz. com ou sem crepes com chocolate.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

a história dos assfaces deste mundo (estou a falar de uma personagem, logo não conta para o boicote aos textos sentimentais)

muito rapidamente, apeteceu-me contar a mais típica história dos dias de hoje.
ela apaixona-se irreparávelmente por um badboy (sim, adoramos tipos desse género). ora ele, mal se apercebe disso, aproveita-se , como qualquer cabrão faria: o primeiro passo é fazê-la crer que ele a ama,  que ela é sem dúvida a pessoa mais importante da sua vida (ahahah , esta parte até tinha piada se não fosse verdade). de seguida, ela fica absolutamente ceguinha ,porque os beijos dele são perfeitos, o toque é único, e blablabla. dá tudo de si àquela relação, anda por aí a passear-se num extâse de felicidade sem jeito.
fá-lo parecer o homem ideal quando fala com as amigas :
"sinto-me como nunca me senti.. ele faz-me sentir especial, ele ama-me, ele cuida de mim.." (e aqui se incluem outras tretas lamechas)
"estás parva ? ele é um cabrão. o gajo tem o telemóvel cheio de mensagens em que chama amor a outras fulanas quaisquer. não confies nele.."
"oh são só amigas. ele não tem culpa, ele nunca me iria trair.."
"ouve o que te digo, abre os olhos.. isso não é assim. ele é igual a todos os outros."
"não acredito nisso. deixa-me ser feliz"

Dias depois, a sujeita vai bater à porta da melhor amiga, em lágrimas, e só consegue dizer : "tinhas razão.."
e qual é o papel da tipa que passou séculos a avisá-la ?
é dizer " eu bem te avisei ", e apoiá-la ao máximo para que esta não se torne numa pseudo-traumatizada.

98% das histórias de amor (cof cof) são assim.
estou a inventar estatísticas, mas é bem provável que seja verdade .

domingo, 20 de fevereiro de 2011

slapbet

parece que vou ter de esperar pelo menos mais duas semanas para poder ganhar a minha slapbet.
(sim, apostei bofetadas, estalos, estaladas, ou como lhe queiram chamar)
falo disto, porque as outras coisas interessantes que poderia ter para dizer eram simplesmente ofensivas. e como não estou aqui para chamar nomes a ninguém (ui, nunca na vida mencionei que sujeito x ou y era um cabrão, nunca), mais vale estar calada.
por outro lado, também é preferível falar das slapbets (ah , sim , são duas) do que falar de amor, de sentimentos, ou de coisas indecentes (está bem, toda a gente gosta de ouvir falar de coisas indecentes, mas se começar a escrever sobre isso ainda sou mal interpretada e isto ainda chega aos ouvidos da famelga, e não pode ser porque sou uma moça de bem ).
e é por estas e por outras, que declaro que vou evitar falar de coisas fofinhas nos próximos tempos. ou pelo menos vou tentar. (da última vez que disse isto, fiquei um dia sem falar de lamechices, mas pronto).
vá, e escrever textos em que me refira a uma 'ela' não conta como treta lamechas. porque afinal de contas, não estou a falar de mim. é só uma personagem (às vezes).

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

every morning

todas as manhãs, no rotineiro caminho para a escola, sentada no autocarro ( naquele lugar do costume), ela escutava melodias que reservava unicamente para aqueles momentos. aqueles eram os minutos do seu dia em que se permitia a pensar nele: estava sozinha, e a sua mente divagava ,relembrava os momentos que em tempos a fizeram tao feliz. apercebia-se constantemente da sua repetição: as imagens eram sempre as mesmas, a saudade que a invadia parecia nunca se afastar.
ela fingia não se preocupar ,ela é sempre tão boa actriz. no fundo, acredita que se encarnar muito bem aquela personagem _a que ela criou, aquela rapariga fictícia que não quer saber dele_um dia a história poderá tonar-se realidade, poderá arrancá-lo dos seus pensamentos.
caramba. ela tem saudades, mas isso nunca poderá confessar a ninguém.
(supostamente, devia odiá-lo, mas ela tem dois parafusos a menos)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

touch

no final, é tudo uma questão de toque.
de facto, pus-me a pensar nisto:
há diversos tipos de relações.. temos aquele género em que a amizade que os sujeitos sentem é algo similar a uma amizade muito forte, logo há confiança e estabilidade, mas upps, não há chama !
por outro lado, existem as relações em que a paixão é intensa, forte, quase incontrolável.. mas nenhum dos "componentes" do relacionamento se sente seguro quanto ao que está a (tentar) manter , ou seja podem-se deparar com os célebres ataques de ciúmes, com desconfianças (in)fundadas. e assim, neste género de relação, podemos afirmar que se vive do tacto. um pouco da visão, é certo, mas o toque da outra pessoa, que nos enloquece particularmente, faz com que a espécie de ligação que se criou com a outra pessoa se mantenha, de uma forma mais ou menos positiva para os envolvidos.
dito isto, pergunto-me : que tipo de relação será melhor ? confiança sem loucura, ou intensidade sem segurança ?
pessoalmente, eu vivo de momentos; não me importo muito com a duração das coisas, mas sim com a qualidade. aprendi a ser assim apartir do momento em que conheci a pessoa mais instável do mundo_okay, na verdade não foi no momento em que conheci o tipo, mas sim no momento em que me apaixonei por ele.
dizem que quando o que sentimos é forte , nos adaptamos aos defeitos do outro. no meu caso, foi verdade. aprendi a gostar daquela insegurança, daquelas conversas quase cruéis, da falta de confiança.
mas isso é outra história. o ponto que merece ser tocado aqui, é o toque. com isto quero dizer que ,quanto a mim, aprendi a lidar com os defeitos de um gajo odioso, por causa do tacto. cheguei finalmente a esta conclusão ontem à noite: na verdade, quando ele estava longe de mim, nem me preocupava muito, nem me tornava tão obcessiva com este tema. mas quando ele se aproximava, quando estava a escassos metros de  mim, eu aparvalhava por completo. amei-o pelo que os lábios dele em contacto com os meus me faziam sentir, por tudo aquilo que ele fazia despertar (bom ou mau, não interessa).

(o interessante é que achavas piada em dizer "amo-te".
se alguma vez foste sincero ou não, isso agora é contigo.
neste momento já não interessa)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

podia escrever sobre o dia dos namorados..

...mas não me apetece.
estranho , se calhar a gaja que escreve cenas românticas não devia achar o dia dos namorados simplesmente nojento. mas enfim, são pancas, eu odeio este dia (não é por ser solteira, na verdade sou descomprometida por opção), não por ser um dia em que se celebra o amor, mas sim porque se exagera nos coraçõezinhos vermelhos que nada significam.
(já me estou a contradizer , comecei por anunciar que não ia falar disto.. )
mudemos de assunto:
o que realmente me deprime hoje é não ir ver os the script no coliseu. demonstrações pirosas de carinho, posso bem com elas, mas não ouvir 'the man who can't be moved' ao vivo, é absolutamente imperdoável.
e por este andar ,também não vou aos sum41. parece que vou ter de começar a poupar uns trocos para ir aos festivais de verão (que só por acaso AINDA não estão lá muito chamativos), mas pronto.
o que também me põe em baixo é esta chuva. mas falar do tempo na internet é estúpido, por isso já me calei.
e para além disto tudo, de maneira a tornar o meu dia ainda mais perfeito, fiz duas nódoas negras, no pulso e no joelho (obrigada voley). resumindo e concluíndo, foi um dia lindo.
e missão cumprida, consegui fazer um post absurdo e sem quaisquer conteúdos fofinhos (aliás, até digo mal de um dia todo lamechas), e pela primeira vez não há nada de profundo no meio disto tudo.
um dia destes volto a ser uma pessoa sensível , eu prometo.
estou só ali a ressacar de um vício (é um gajo, não é nada de grave) , e daqui a nada sou outra vez uma pessoa sentimentalista.
porque apesar de tudo, eu até acho piada ao amor.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

nem todas as histórias têm um final feliz

(...)
durante meses, ela evitara a todo o custa voltar àquele lugar : sabia que as recordações lhe iam pesar,e que se ia tornar difícil não ceder aos sentimentos.
quando entrou naquele bar, ficou atordoada pela quantidade de 'dejà vus' que sentiu.. não era fácil lidar com aquela sensação, aquele aperto no peito que a sufocava. a coragem que há minutos atrás revelara, tinha agora desvanecido, pois novas histórias, diferentes hipóteses começavam a criar-se, peça a peça, na sua mente. dirigiu-se para a mesa habitual e sentou-se ,numa tentativa de recuperar forças. remexeu na mala, à procura na carteira, e perguntou à amiga:
"O que queres beber?"
"o de sempre, sabes bem que..." 
"okay . até já"
"ouve, não vás lá sozinha.. espera por mim. tu não estás bem! "
ela olhou-a, lábios tremidos e olhar perdido:
"estou.. ou pelo menos tenho de estar. se o encontrar , só me vai fazer bem. não tentes proteger-me porque não vale a pena, o mal está feito, é verdade é que estamos aqui, e eu.. tenho de enfrentar os meus problemas. se ele estiver com outra pessoa, só tenho de sorrir e aceitar. caso contrário, ser forte,e ..logo se vê
"mas eu vou ao balcão contigo. quer queiras quer não. vamos"
ela, assustada com a probabilidade quase certa de se deparar com ele, concentrou o seu olhar na bola de espelhos, que luzia lá ao fundo. fizeram os seus pedidos, e esperaram: ela, um pouco mais calma, sorria para a amiga e tentava começar uma conversa descontraída, comentando que aquele espaço estava cada vez mais moderno , numa conversa que pretendia manter a sua cabeça afastada de outros pensamentos. de repente, naqueles momentos de espera, reparou num olhar estranho, talvez preocupado, que a sua amiga lhe lançou: e imediatamente entendeu a razão daqueles olhos esbugalhados.
 sentiu um toque nos seus ombros, que se revelavam nus com aquele pequeno vestido preto.
era ele.
"já não me vens falar, não avisas que vais passar por aqui.. "
ela virou-se , respirando fundo de forma a arrefecer o seu coração que teimava em ceder.
"uau, agora decidiste ser comediante ? é que estás com uma piada, que nem te digo nem te conto.."
surpreendida consigo mesma, sorriu, orgulhosa com a sua resposta. contudo, aquilo era apenas o início
"não percebo o que se passou. afastaste-te, deixaste de me telefonar, puseste um fim às coisas sem sequer avisar.."
"pronto, eu já reconheci as tuas capacidades humorísticas. agora podes parar , por favor ? "
"leva-me a sério.."
"claro que sim. eu levo a sério tudo o que tu dizes.. da mesma maneira que levo a sério as tuas traições.
e as tuas falsidades, e as tuas mentiras.. "
"ouve, vamos falar para outro lado"
"não. tudo o que te tenho a dizer, pode ser dito aqui. nunca mais caírei nas tuas conversas. nunca mais me deixarei levar pelas tuas mentiras, pelas tuas farsas, pelas tuas palavras quando dizias "amo-te" . acabou-se a história. sem finais felizes, sem beijos de reconciliação. "
"não me faças isto. cometi muitos erros, eu sei, mas isso não é razão para acabar de vez com tudo o que criámos, tudo o que passámos."
"eu já aguentei muito. já aturei demasiada falta de dedicação. custa-me dizer isto,mas .. perdeste-me ."
"espera, não sejas teimosa.."
ela, instransigente , pega na sua bebida e ordena, num tom de voz altivo:
"olha bem para mim, de alto a baixo, olha para cada detalhe do meu corpo, lembra-te de cada pormenor daquilo que sou, por dentro e por fora: tenho a certeza que não querias perder isto, mas a culpa foi tua. vou dançar.. tchau"

E assim ela levantou a cabeça, e foi finalmente capaz de seguir em frente (depois de tantos anos agarrada àquela ilusão), sem olhar para trás, segura de que aquela decisão a tinha feito mais forte. orgulhosamente, reparou que era de novo a mesma pessoa: tinha o seu nariz empinado e a sua independência de volta.
já não era sem tempo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

I know you're not heartless

Era noite cerrada, céu estrelado lá fora, a estrada cobria-se de geada, o frio adormecia uma escuridão que escondia inúmeros segredos.. ela entrava naquela casa , cheia de recordações, e um nervoso miudinho, crescente , apoderava-se de si sem qualquer hesitação. perante a sua família, era uma actriz perfeita, fingindo uma calma , uma serenidade absolutamente imperturbável. olhava o relógio de parede , na cozinha, desejando que o tempo estivesse do seu lado, escutava distraídamente as conversas dos seus pais, que teimavam em demorar-se ali, junto à lareira, naquele conforto preguiçoso. discretamente, trocava olhares preocupados com a sua irmã, a maior cúmplice, na verdade a única pessoa que sabia dos seus planos para aquela noite. finalmente , passava já da meia noite, a casa adormeceu, num silêncio que escondia todos os seus segredos, e ligou-lhe, dizendo apenas "podes vir".iniciou então um período de espera, que lhe pareceu eterno.. a adrenalina crescia, o corpo tremia, o coração batia freneticamente, o nó no estômago aumentava sem cessar.. até que ele chegou. ela sentiu os seus passos suaves, que subiam o jardim, silenciosamente, num crime perfeito, sem provas, sem rastos.
a rapariga aproximou-se da porta, invadida por uma vontade impossível de gritar , dizer ao mundo , revelar o seu sentimento, ignorar aquele lar completamente adormecido. respirou fundo, abriu a porta, nem sentindo o frio intenso que vinha do exterior: quando o viu, oh, quando o olhou, o vento que soprava por entre aquelas terras era uma ilusão, era apenas um detalhe insignificante, pois ela fervia, sentia-se de novo aconchegada, numa segurança difícil de descrever. ele, arrepiado com o frio e com o momento, abraçou-a imediatamente,apertou-a bem nos seus braços, pousou a face gelada nos seus ombros, e beijou-a ao de leve no pescoço, sem pressas, sem tempo.
ela pegou-lhe na mão, levando-o para o quente da cozinha , " ficamos aqui.. aquece-te, estás congelado. obrigado por teres vindo, eu.." enquanto se explicava, ela esforçava-se para reacender o lume, do qual restavam apenas umas brasas, fracas.. ele riu-se, sorriso brincalhão " tu, meu amor, não tens jeito nenhum para isso. deixa-me ajudar-te , tola. nota-se mesmo que és da cidade"  "estúpido" ripostou ela, rindo-se .
em segundos, a lenha crepitava de novo_ele observava-a, sedutor , orgulhoso do que tinha feito, provocando-a "se não fosse eu , morríamos ao frio"
"desculpa ? se eu não te trouxesse aqui para casa, aí sim, congelávamos. a ver se queres que te ponha na rua."
"tu és sempre tão má. não vês que quero estar aqui contigo?
"ai queres? não se nota"
"nunca conheci ninguém como tu. és tramada, sabias ? vem cá "
puxando-a para o seu colo, ele aproveitou cada toque dos seus corpos, cada pedaço de pele que se roçava,por entre as suas roupas frescas, inadequadas àquele inverno rigoroso. mantendo-a bem perto de si, perguntou-lhe "não tens frio ? pareces-me tão pouco agasalhada.. "
"cala-te, eu estou bem. não ves que não tenho frio?"
"ah, isso é só porque eu estou aqui"
"odeio-te"
com estas palavras, ele prende-a num beijo longo, apaixonado, perdido no tempo..  compreende-a, conhece-a há tantos anos, ninguém melhor que ele para entender que aquele "odeio-te", era afinal um "amo-te", escondido por detrás de um mau feitio que o cativava. ela, enfeitiçada pelo amor que sentia, não mais se voltou a preocupar com a possibilidade de ser apanhada pelos seus pais, de repente, com aquele namorado proíbido, aquele estranho, completamento clandestino na sua casa de campo.
repentinamente, ele pega num relógio velho, que marcava o seu compasso exacto, segundo a segundo, pousado na bancada ao lado da lareira.
surpreendeu-a, retirando a pilha que o fazia trabalhar
"o que estás a fazer ? precisamps de saber as horas.." avisou-o, voz terna de menina
"parar o tempo"
"lá estás tu com as tuas tretas..a tentar enganar-me com as tuas habilidades , com essas frases manhosas"
"vê um bocadinho de honestidade em mim , vá lá."
"está bem, mas .. e se não nos damos conta de que as horas passam, e se adormecemos, e se.. ?"
"perde-te no tempo."
"como consegues deixar-me assim ? eu bem tento, mas contigo, perco toda a minha racionalidade.. pedes-me para me perder no tempo, mas só me fazes perder a cabeça"
"então perde.. perde tudo, não quero saber. só não me percas a mim"
"lá estás tu , tu e o teu romantismo.. era suposto ser eu a lamechas. caramba, és mesmo ..  és mesmo otário.
eu nem sei. dizes-me essas coisas, e eu , e eu.. fico assim.. sem sentido, a tremer . sou tão parva. "

abraçaram-se,de pé, em frente àquele fogo brando, em frente aquela fogueira que os iluminava. aquela luz, aquele fogo , que culminava numa paixão intensa, que ia para além dos limites do seu pensamento, da razao, ultrapassava a linha da ciência, do racional.
naquela noite , ela baixou todas as suas defesas, e entregou-se ao irreparável.
"amo-te" 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

unexpected

(...)
era apenas mais um dia normal, mais vinte e quatro horas de rotina, num início de semana que se revelava aborrecido, sem expectativas ou supresas..
ela caminhava em direcção ao sítio onde passava todos os seus intervalos, naquela escola que já conhecia tal como uma casa.. seguia ao lado dos seus melhores amigos, os rapazes que sempre a faziam feliz, que a faziam sentir exactamente como ela precisava. e apesar de todas as suas amizades, fortes e duradouras, ela sentia falta dele.. não o via há semanas, e a saudade apertava, a mágoa de histórias por resolver unia-se à vontade de sentir os seus abraços quentes outra vez. mas naquele momento, o seu mundo parecia-lhe certo: ali estava, num dia de sol (tal como ela tanto gostava), sentindo uma felicidade quase suficiente, que naquele momento lhe parecia o melhor que poderia vir a conseguir.
até que, como uma interrupção àquela monotomia, um rapaz , que conhecia da sua antiga escola, e com quem trocava apenas palavras circunstanciais ,simples "bons dias" , foi ao seu encontro, com um sorriso simpático "olá ! olha , há pouco quando saí das aulas, encontrei aqui um tipo meio perdido.. perguntei-lhe se o podia ajudar , e ele perguntou-me por ti.." 
"por mim ? mas quem  é ele, como se chama? "
"pediu para não te dizer o seu nome.. mas ele está lá em cima, no terraço, à tua espera.."
apesar de desconfiada, ela sorriu, ao pensar que quem quer que fosse que estivesse à sua procura, partilhava de certeza a sua paixão por manhãs solarengas, pelo que escolhera o terraço, aquele espaço tão particular para uma escola.. mas prosseguiu " estranho. não faço ideia de quem seja,  vou lá ver .. " "deixa-me ir contigo. ele não me explicou muito bem quem era , e , sei lá, pode querer-te mal.."  ao que ela replicou , assentindo " tudo bem, vamos até lá acima. estou nervosa, e nem te sei dizer porque.."
e assim, ela deixa o seu lugar habitual, sem dar grandes explicações aos seus amigos, sem se preocupar com o que eles poderiam  pensar de toda aquela situação. sai do pavilhão, subindo as escadas até ao famoso terraço, o seu espaço predilecto, o lugar que escolhia quando sentia a necessidade de esquecer que se encontrava numa escola, num local cheio de obrigações..
enfim, ao alcançar aquele recanto solarengo, vê um rapaz loiro, de costas..  nesse instante, paralisa. o seu corpo congela, o coração mostra um desejo ardente de saltar do peito.. sente-se tonta, extasiada , louca.. sentindo a sua presença,o rapaz vira-se , olhando-a com ternura, talvez controlando-se para a beijar , a abraçar, acabar com toda aquela saudade que o tem invadido desde que a deixou, desde que se despediu dela, naquela noite gelada de janeiro passado..
de repente, ela deixou a sua pequena mala deslizar pelos braços, até chegar ao chão, numa queda lenta.. num gesto igualmente vagoroso, pousou os seus livros no chão, ainda molhado das chuvas dos últimos dias. e, consciente de cada movimento, aproximou-se dele, com passinhos de bebé, uma expressão inocente, que contrastava com os seus lábios perfeitamente pintados de vermelho vivo.
tocou-lhe , sentindo cada detalhe da sua face, como numa confirmação de que ele não era uma miragem, um fruto da sua imaginação.. ele era real, estava ali , a seu lado. foi unicamente capaz de lhe murmurar junto ao ouvido "vieste.."
ele, petrificado com a emoção do momento, não encontrou grandes palavras, grandes ditos, dizendo-lhe baixinho " o prometido é devido, loira"
deram as mãos, olhando-se nos olhos, relembrando o último beijo que trocaram..os seus lábios tocaram-se  de novo, numa perfeição impossível, num momento só deles, que partilhavam com uma entrega absoluta, uma entrega comparável à grandeza de um universo.
"porque decidiste vir, sem avisar? " questionou-o.
"lembraste da última conversa que tivemos ? pediste-me provas, acções que demonstrassem, mais do que qualquer palavra, o amor que procuro quero viver contigo"
"sim, mas.. vieste de tão longe.. eu .. eu só nao te quero perder outra vez, o resto não interessa.. não me deixes nunca mais"
"loirinha, eu vim para ficar .. vamos lutar por isto, juntos."
"vieste para ficar ?"
"sim. deixei tudo para trás... " revela-se apreensivo, por um milésimo de segundo "tudo se vai compor . ajuda-me a começar de novo..por favor"
"tu não vais começar de novo. nós vamos começar de novo. os dois. nunca mais terei de pensar que estás longe. nunca mais terei de passar pelo sofrimento de não te ver durante meses, de não te poder tocar.. "
"estarei a teu lado todos os dias.. prometo-te. eu quero-te tanto , minha pequena"

e ela nunca mais sentiu a mesma tristeza, a mesma melancolia, a mesma rotina..
junto dele, ela nunca mais foi a mesma.
(...)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

please don't stop the rain

(...) e naquele dia de verão,chuvoso e contrastante com o quente dos últimos dias, ele manda-lhe um bilhete , pedindo-lhe para se encontrarem às onze da noite, no local onde há exactamente três anos se conheceram. ela, apesar de ainda coberta de sentimentos de raiva , apesar de ainda destroçada, assentiu ao seu pedido, confiante de que poderia finalmente libertar-se dos seus fantasmas, berrar com ele, deixar-se levar pela emoção que ao longo de todos aqueles meses escondeu. já noite cerrada, céu coberto de nuvens, trovões iniciavam a melodia lá longe , e ela percorria aquele caminho que tantas vezes tinha feito, esse percurso que antes fazia feliz, fazia-o agora vagarosamente , com tremuras e arrepios que a assolavam continuamente. chegada àquele banco de jardim, a chuva começou a cair, gota a gota, como um presságio de qualquer coisa inevitável. ela olhou-o, observou cada detalhe do seu movimento ao levantar-se, e manteve-se quieta, calada, respiração sustida. nesse segundo, percebeu que ainda o amava.. contudo, esforçou-se (em vão) para apagar esse sentimento de si, que quase tinha conseguido esquecer , passado todo aquele tempo.. e naquela luta contra os seus sentimentos, ele aproxima-se dela, pegando-lhe na mão , tentando dar-lhe um beijo de perdão no canto do lábio .. rapidamente, tomada por uma miscelânia de sofrimento e raiva, ela afasta-se, vira as costas, e grita : NÃO ME TOQUES !
ambos começam a chorar , em lágrimas sentidas que se misturam com as gotas de chuva, que se tornam cada vez mais densas, cada vez mais regulares.. os seus corpos tremem, não por estarem cada vez mais gelados, mas sim por temerem aquela discussão,aquela separação definitiva..
ele tenta aproximar-se de novo, sussurrando "desculpa-me.." , ao que obtém de resposta um "nunca.." , que se pretendia forte e assertivo, mas acabou por ser fraco, triste..
"eu quero-te. deixa-me voltar para ti.. olha para mim. não vês sinceridade no que sinto? por favor.." ele tenta, ele tenta .. a rapariga, apesar de desprotegida, mantém-se firme, atacando "sinceridade ? o que percebes tu disso ? estragaste o valor das palavras ! como queres que acredite em alguém como tu ? não sabes o significado do verbo amar. assassinaste o sentido da palavra confiança. esquece tudo. adeus"
"não vás!" ," de que vale voltar? ", " eu mudo, eu prometo..", "não quero saber das tuas promessas.." "desta vez não são só promessas, são acções ! "
e os relâmpagos começam a rebentar ao seu lado, os raios atingem o espaço que os rodeia, a chuva é intensa, a chuva não pára, tal como aquela discussão..
ela chorava sem cessar , procurando forças para continuar a negar ..
"então estou farta de palavras. CALA-TE ! dá-me gestos, acções. dá-me tudo menos mentiras. fartei-me.."
a respiração dele tornou-se ofegante, igualmente desesperado..
ela virou as costas, iniciando o seu caminho de volta para casa, quando o rapaz , inevitavelmente , a agarrou ,completamente cego, abraçando-a com força , apagando todas as suas desconfianças..assim ficaram, durante longos minutos, debaixo de uma chuva que quase lhe parecia quente, apaziguadora..
"eu não posso.. eu tenho de ir.." explicou ela, numa última tentativa ..
"não , não vais. se fores, eu morro. "
"oh. és um traste"
(...)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

repugnant

quando leio os textos que lhe escreves, quando os meus olhos se deparam com aquelas palavras de amor, sinto nojo , nojo dos nossos corpos que se tocavam, nojo de te ter beijado, nojo de andar contigo de mão dada na rua. ao pensar em ti, ao olhar para uma fotografia que antes me fazia tão feliz, hoje sinto repulsa do ser que és, do êxtase que em tempos causavas em mim.
leio e releio aquelas palavras, a raiva cresce , a vontade de te esbofetear é enorme, mistura-se com a tristeza de uma perda.. cresce em mim um ódio que jamais conhecera.
lembras te de te querer ao meu lado para sempre ? agora, quero-te afastado, quero-te o mais longe possível, desejo que desapareças do meu coração.
nunca conseguirei entender como é possível alguém provocar tanta repugnância, com uma traição que não é física, mas que apesar disso é muito pior de se suportar, pois é um engano que se provou com palavras, com textos que deviam ser sinceros e não acredito (nem sequer minimamente) que o sejam.. estragaste o valor da palavra , o valor de frases importantes que se sentem cá dentro, e pior, estragaste o valor do amor.
Tchau , vai e não voltes.

desilusões

há sempre alguem que nos desilude, seja intencionalmente ou não..
a dor é grande, a frustração de termos dado confiança a determinada pessoa invade-nos, perdemos o chão de uma maneira que , à partida, nos parece irremediável..
a desilusão, impossível de evitar ,faz-nos questionar o valor que alguém tem para nós, faz-nos perguntar se valeu a pena tudo o que fizemos, toda a luta, todo o sofrimento..
mas na realidade, é preferível uma desilusão, que nos vai trazer um acordar diferente, que nos vai abrir os olhos para o futuro, do que continuar a viver uma mentira que nos parece tão correcta, tão saudável.. e feliz.
por vezes as mentiras trazem-nos mais felicidade de que as verdades,que podem ser verdadeiramente cruéis , que magoam.. apesar disso, a verdade é transparente, límpida, abre-nos a mente a um novo ínicio, dá-nos a hipótese de ultrapassar mágoas e começar de novo qualquer coisa.
também é verdade que aundo alguém nos desilude, perdemos a confiança não só com quem nos magoou, mas também com os outros, pomos em causa os sentimentos, se serão verdadeiros ou apenas mais uma mentira no meio de tantas..
acima de tudo, por mais que a tristeza te invada, a vida corre lá fora, bem a seu ritmo, e a tua única opção é continuar , seguir em frente, procurar de novo alguém que te faça acreditar , alguém que mereça a tua dedicação, e não te traga mais sofrimento, mas sim um pouco de honestidade.
vai à luta por aquilo que queres, esquece quem não merece a tua atenção..

porque o amor é estúpido, mas eu não sou.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

eles

pela primeira vez, ela ama num cenário diferente, em que as paixões daqueles dois seres se revelam por entre a areia branca de uma praia vazia, por entre o mar que, muito quieto, os presenteia com os reflexos de uma noite que aí definha, mostrando os primeiros sinais da manhã que se aproxima quente, solarenga. estão juntos, próximos, unidos pelo sentimento que nenhum dos dois sabe exprimir por palavras: apenas as suas mãos unidas e o olhar profundo que trocam  fazem com que se deparem com a beleza de um amor puro, contudo aparentemente sem futuro.
ela finge não se preocupar com futuros, mas intimamente deseja que aquele momento dure para sempre.. que aquela praia vazia, que escondeu os seus beijos e as suas carícias durante uma noite perfeita de início de verão, se mantenha ali, suspensa numa eternidade única, ilimitada..
ela guarda para si o desejo de criar laços duradores, algo especial, que resista a quaisquer medos ou hesitações.. ela , naquele silêncio que a perturba ao mesmo tempo que lhe confere prazer , imagina uma fuga, um plano imperfeito de uma vida perfeita, vida essa sem passados, sem obstáculos, uma vida.. a dois.
perde-se nos seus pensamentos, sendo levemente acordada por um beijo suave no pescoço, tranformando-se numa voz sussurrada , que lhe pergunta " em que pensas ? ", ao que ela responde, com a sinceridade de uma criança , voz trémula , "tenho medo..". e nesse instante,ele abraça-a como nunca tivera feito, partilhando as suas inseguranças, oferencendo a força da paixão, confortando-a..
e por entre aquele abraço sincero, numa mistura de pele humedecida pela água salgada com a areia branca que arranhava os seus corpos, ele espelha a sua alma na dela, como numa telepatia perfeita , e sugere-lhe, com a confiança de uma vontade partilhada :
"vamos fugir?"

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

next time

da próxima vez,
vou entrar em grande, mini vestido preto,  salto alto de 10 cm, baton vermelho, e sussurar bem ao teu ouvido : "hey baby, foi isto que perdeste".

(e vais ficar bem quieto, vais ver o meu corpo dançar pela noite dentro, vais entender que o teu controle sobre mim acabou, a cegueira deu lugar à lucidez de alguém que finalmente se fartou. vem a meus pés, observa, faço de ti meu servo, és escravo da minha vontade, e essa, que já escasseava, terminou).